quarta-feira, 20 de março de 2013

CRÍTICA: ANNA KARENINA




Por Luis Ribeiro


O livro de Liev Tolstoi é um grande querido no mundo cinematográfico, já que esta obra em questão já teve diversas adaptações no decorrer dos anos; em 1935, 1948, 1967, 1997 e agora mais um em 2012, lançada no Brasil em 2013. 
Este longa conta, porém, com uma atmosfera teatral bastante interessante e curiosa, já que a história de Anna jamais ficou conhecida por ter sido adaptada no teatro. Poucos sabem, mas devido ao corte nos custos o filme quase que não foi levado adiante, mas devido a grande determinação do diretor Joe Wright, foi possível realizar. 
Para aqueles que não estão familiarizados com esta história, ela se baseia no século XIX, onde Anna Karenina (Keira Knightley), que tinha uma vida perfeitamente feliz e rica com o seu marido Alexei Karenin (Jude Law), um rico funcionário do governo. Porém, devido a certos acontecimentos ocorridos no casamento do irmão, Anna acaba se deparando o conde Vronsky (Aaron Johnson), que passa a cortejar a pobre dama. Contudo Karenina, apesar de não resistir aos flertes do galã se nega a assumir seu relacionamento adúltero, com medo de ser julgada pela sociedade, ainda mais quando Alexei descobre sua traição e passa a ameaça-la da maneira que acha mais propício.
Depois de ter sido visto por maus olhos perante diversos festivais o filme perdeu muito força para mantê-lo no páreo das premiações, porém isso não deve ser uma desculpa para não conferir o filme. 
Wright é um diretor que muito esnobado por muitos, mas não há motivo para isso. Seus trabalhos são extremamente caprichados, é possível notar o quão dedicado ele é em suas obras, mas aparentemente isso não chama a atenção de muitos, o que é um erro enorme. 
Um dos pontos fortes do filme é, com certeza, o elenco, muito bem escalado pelo diretor. Aaron Johnson se mostra um talento promissor que já pode ser conferido com sua atuação em Albert Noobs; Jude Law foi um dos últimos nomes para entrar no elenco e fez um bom trabalho em seu papel; já Knightley já está bastante acostumada com esse universo do século XIX, principalmente depois do filme A Duquesa; porém neste papel temos um pouco mais de novidade por sua parte, ela se se entrega ao papel e evolui junto com a personagem, grande atuação.
Por mais que o elenco tenha sido belo, nada se compara aos aspectos técnicos do filme. A direção de arte de Sarah Greenwood é impecável; a fotografia de Seamus McGarvey é belíssima e a trilha sonora de Dario Marianelli é digna de Oscar, além disso, os pôsteres do filme não poderiam ter sido mais belos. Porém nada pode superar o impecável figurino de Jaqueline Durran que, mais uma vez, capricha nas roupas de época, a costureira já trabalhou com o diretor em Orgulho e Preconceito e ganhou um prêmio de melhor fantasia já feita para o cinema. 

Porém o filme, de fato, não por ser dito como impecável, uma vez que o roteiro é bastante falho. A grande desolação de Anna ao ser mal vista pelas outras socialites é tratada da mesma forma que as tramas da novela das seis, ou seja, muita coisa se torna previsível em vários momentos do filme. Como dito, o início do longa tem uma atmosfera que recorda muito o teatro, com cenas longas que prezam o diálogo (características do direto), além de tomadas muito bem coreografadas e orquestradas com a edição de som, casando-a com bandas sonora; assim estes aspectos lembram muito um musical nas primeiras cenas, com a mudança de cenário em plena movimentação, uma característica muito interessante que é esquecida no decorrer do filme e que só é lembrada em determinados momentos. Outro ponto negativo é a montagem de cenas que ora vem a ser bastante intrusiva ora é feita com coesão. 
Anna Kareninna é um belíssimo filme, que possui sim seus pontos fracos, mas seus 130 minutos são preenchidos com belíssimas tomadas internas, como num teatro. A história pode envolver e emocionar todos aqueles que são fãs de um atmosfera mais clássica, levando o espectador de volta a momento de ouro do século XIX. 



 

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