quarta-feira, 13 de março de 2013

CRÍTICA: OZ - MÁGICO E PODEROSO


Por Luis Ribeiro


A Disney está com uma grande inspiração de recriar os seus clássicos em live-action; depois do grande sucesso que foi Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, que arrecadou mais de um bilhão nas bilheterias de todo o mundo.  Após isso fizeram duas Branca de Neve, irão fazer um Pinóquio com Robert Downey Jr. como Gepeto, um filme da Malévola (vilã de Bela Adormecida) com a Angelina Jolie, uma Cinderela com Cate Blanchett como a madrasta, e por aí vai.
Porém, o filme do momento seria o de Sam Raimi (trilogia Homem-Aranha), que sempre foi muito famoso por seus filmes de terror bastante intensos e fortes, tornando-o uma escolha curiosa para dirigir o filme que conta a história de Oz. Primeiramente o filme de 1939 de “O Mágico de Oz” é de propriedade da Warner, mas o livro de 1900 é de domínio público, contudo isso não basta para que um remake seja feito smi a compra de direitos autorais, por esse motivo não veremos o Leão, o Home de Lata, o Espantalho neste novo longa, os sapatinho da Dorothy, mas há referências a esses acessórios no novo filme.
Oz (James Franco) é um mágico charlatão, mas com grandes sonhos de deixar o seu nome na história, porém ele não nega ser um grande mulherengo, atributo esse que o fez entrar em um acidente que o acabou levando até a encantada Terra de Oz. Chegando lá ele encontra de cara com a bruxa Theodora (Mila Kunis) que apresenta o mágico para sua irmã Evanora (Rachel Waisz), esta ilude o homem alegando que o mesmo era o rei do local, e que seu retorno era profético. Então a bruxa convence o rapaz a matar Glinda (Michelle Williams) que supostamente seria a bruxa má que iria destrona-lo, contudo várias reviravoltas mostraram quem são os verdadeiros mentirosos que querem acabar com a Terra de Oz.
É impossível ver Oz - Mágico e Poderoso sem lembrar-se de Alice no País das Maravilhas, já que visualmente eles são bastante parecidos, mas a história é diferente, mas os dois filmes alcançam o nível de regularidade, ou seja, muito barulho por pouca coisa.
Sam Raimi não está em seu melhor momento no cinema, depois do último capítulo de Homem-Aranha, que não foi nenhum primor, ele ainda escreveu e dirigiu Arraste-me para o Inferno, que foi quase unânime em desaprovação. Mas nesse novo filme, ele aparenta estar, apenas, se recuperando dos erros que cometeu antes. A direção foi muito certinha, poderia ter sido mais ousada em alguns aspectos.
Curiosamente, do elenco quem menos se destaca é James Franco, que já tinha trabalhado com o diretor em Homem-Aranha, ele cumpre seu papel competentemente, mas não mostra grande devoção ao papel como fez no ótimo 127 Horas.  Mila Kunis merece algum destaque na trama, por ter um acometimento mais marcante na segunda metade do filme, até abandona o rostinho bonito para dar mais intensidade ao papel. Rachel Waisz foi uma escolha peculiar ao elenco, já que de uns tempos para cá ela se envolveu em trabalho mais metódicos como O Jardineiro Fiel e 360; entretanto ela se mostra uma competente atriz de fantasia, destacando-se em alguns momentos do filme. Já Michelle Williams não tem tanto brilho no enredo, ela faz algo muito parecido com que Anne Hathaway fez como Rainha Branca, em Alice, o mesmo estilo de bonequinha, o rosto sempre sereno mesmo em situações de angústia, e os movimentos muito bem ensaiados. Basicamente o filme é composto pelos 4 atores.
Os pontos positivos são dados, principalmente, para a direção de arte de Robert Stromberg , que já foi premiado por seu trabalho em Avatar. Ele criou cenários belíssimos para compor o filme, tais como a Cidade de Porcelana e Cidade Esmeralda, porém nada muito criativo que já não tenhamos visto no filme de Tim Burton, mas com muito mais cor dessa vez. O figurino é o mesmo para praticamente todo o filme, mas é claro que não são exatamente as mesmas peças de roupas que foram usadas durante os cinco meses de gravação, ainda sim é bastante competente, com um mescla interessante de contemporaneidade e clássico.
Os efeitos visuais também são ótimos, principalmente na construção extremamente detalhada dos personagens computadorizados, como o macaco Finley (dublado por  Zach Braff) e a boneca May, pessimamente dublada por Abigail Sapencer.
A trilha musical de  Danny Elfman é fantástica, o trabalho do compositor sempre foi admirável em seus demais filmes, como: Batman e A Fantástica Fábrica de Chocolate. Neste filme ele não economiza nos elementos sonoros e na composição das cenas.
Apesar de todo esse meio maravilhoso que nos é apresentado, o espectador não mergulha na fantasia junto ao filme, apenas o assiste esperando incansavelmente por um bom desfecho, que por sinal nunca chega. É o típico filme de “guardar o melhor para o final”, porém não é atingido um bom resultado. O longa é bastante extenso, mais de duas horas, que não são muito bem aproveitadas. Na verdade, o projeto começa bem, com a fotografia em preto-branco, mas depois disso as cenas ficam muito vivas em cores, causando certo exagero em relação a estética do filme.
Apostando em um humor mais negro, para fazer todos, independente da idade, rirem. O roteiro possui algumas passagens estranhas, como o fato de o mágico cogitar a possibilidade de matar uma dama por dinheiro; fazendo pensar se o ouro vale mais que a vida de alguém?
Todavia, é Oz é um filme com um carinha de Os...car, as categorias técnicas já tem um grande concorrente para levar em consideração, é possível que o elenco também não seja esquecido em suas respectivas categorias. E como não se mexe em time que está ganhando, o clímax deixa algumas dicas indicando uma continuação, e não há porquê não continuar a história, porque já temos um grande início de um novo franquia.

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