As Sessões

Confira a crítica do filme As Sessões!

O escanfago e a borboleta

Confira a crítica do filme!

Atores mais jovens a ganharem ou concorrerem ao Oscar

Confira quem são os atores mais jovens a ganharem a estatueta tão cobiçada no mundo do cinema!

Estréia essa semana!

Confira a lista de filmes que vão as telonas nessa semana!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Academia de Artes Cinematográficas fará o Museu do Oscar e Cinema!!



MUSEU DO OSCAR

Recentemente foram reveladas as primeiras imagens e planas que servirão como base para o Museu do Oscar. A Academia pretende relacionar o evento mundialmente admirado, com os filmes clássicos e contemporâneos.
O arquiteto responsável pelo trabalho é Renzo Piano, além do inovador e contemporâneo arquiteto Zoltan Pali também participará do projeto.
O Museu contará com diversas salas expositivas de diversas personalidades voltadas para o cinema, tal como atrizes, produtores, roteiristas e diretores conhecidos; grande também será o destaque a mescla de contextualização cinematrogrática. Além disso, o Museu irá fornecer uma experiência interativa e imersiva, com exposições e que destacarão a história e o futuro das artes e das ciências do cinema. 
Entretanto o Museu irá contar com um acervo de filmes, que estão sendo recolhidos pela Academia desde o ano 1930, porém não somente os vencedores do Oscar estarão em exposição, também serão disponibilizados várias áreas relacionadas a trabalhos marcantes do século XX.



A incomparável coleção permanente da Academia contém mais de 10 milhões de fotografias, 146.000 filmes e vídeos ativos, 80.000 roteiros, 46.000 cartazes e 20.000 desenhos de figurinos.

Esse aglomerado também inclui mais de 1.400 coleções pessoais e especiais de lendas do cinema, como Cary Grant, Katharine Hepburn, Alfred Hitchcock, John Huston. Essas coleções especiais contêm arquivos de produção, correspondência pessoal, recortes, contratos, manuscritos, storyboards e muito mais. (A planta pode ser vista abaixo)

Segundo o acordo arquitetônico, o segundo andar do local será exclusivamente destinado à história do cinema, segundo a revista TIME. Alguns temas estarão ligados a essa área, como:
·       Lumière e o Cinématographe
·       Edison e do cinetoscópio e Vitascope
·       Era silenciosa do Cinema
·       A ascensão e influência do sistema de estúdio
·       A definição de gêneros do cinema clássico – musicais, faroestes, filmes de gangsteres, filmes de terror
·       O impacto da Segunda Guerra Mundial no filme
·       A era do filme noir e a lista negra
·       O impacto da TV sobre a indústria cinematográfica
·       Épicos e 3-D
·       O negócio de cinema, incluindo expositores, estúdios, agências, corporações
·       Filmes estrangeiros
·       Cultura adolescente
·       Cinema independente

A ideia dos colaboradores do projeto é de tornar a experiência, da visita ao local, um grande marco para os amantes de cinema.O projeto já está em andamento, e em ritmo acelerado, porém a previsão de conclusão do edifício é para 2017 e promete ter um grande público para a inauguração do local.


terça-feira, 16 de abril de 2013

CRÍTICA: OBLIVION


Por Luis Ribeiro

Joseph Kosinski volta a direção de um longa depois de ter feito, de uma maneira não muito satisfatória, o filme Tron – O Legado; mas é evidente que o diretor não é um talento prodígio e vai precisar de alguns erros na carreira para aprender.
Kosinski tem um enorme potencial e tem tudo para ser um grande diretor de filme de ficção-científica um dia, mas ainda não chegou o momento. Esse estreante possui uma concepção criativa evidente, uma imaginação arquitetônica soberba, ele realmente sabe o que está fazendo quando se trata dos aspectos visuais em um filme; ele busca chocar e maravilhar as pessoas, os cenários construídos por ele são espetaculares, nada é desperdiçado. Mas esse universo fantasioso deveria existir para dar suporte a um filme, mas o diretor faz o contrário.
Oblivion possui os mesmos erros que Tron, uma preocupação grande com as questões visuais e pouco caso do roteiro, como se esse último fosse apenas uma consequência de um filme.
Mas a história de imediato nos é apresentada. A Terra é mostrada em um futuro pós-apocalíptico, seus habitantes tiveram que mudar-se para Titã (a maior lua de Saturno) depois que os temíveis “Saqueadores”destruíram a Lua, causando inúmeras catástrofes no planeta. Mas cabe a Jack (Tom Cruise) supervisionar a coleta dos recursos naturais que restaram na Terra e encaminhá-los para Titã, que é para onde, supostamente, irá depois de que sua tarefa for feita, assim ele e sua namorada Victória (Andrea Riseboroughdeverão partir. Porém faltando pouco para sua viagem Jack, que um grande amante do antigo planeta que nunca chegou a conhecer, descobre que sua função não é tão solene e que a Terra não é tão “inabitada” quanto ele pensava.
Tom Cruise é um caso muito interessante de ator; é muito curioso que seus papéis aparentem adaptar-se para sua atuação, fazendo com que sua atuação não apresente evolução alguma em seus filmes, porém isso não significa que ele seja mau ator, ele possui uma competência e carisma perante as câmeras que falta em muitos astros de Hollywood. Andrea Riseborough se faz bastante presente no filme, faz seu trabalho muito bem. Outra figura feminina seria Olga Kurylenko, que também não decepciona. Porém é revoltante o fato de Nikolaj Coster-Waldau e Morgan Freeman teriam sido praticamente esnobados neste filme, como se fossem míseros atores descartáveis; neste ponto podemos ver que Joseph Kosinski não é um diretor de atores muito bom.
Desde 2001 – Uma Odisseia no Espaço que o público espera uma boa ficção-científica. Mas Oblivion corresponde a essa expectativa? Não, mas chega perto. O problema é mal andamento dos aspectos cruciais em um filme, ou seja, o roteiro é comprometido e pouquíssimo original, as cenas dramáticas são extremamente ensaiadas e o enredo é quase que deixado de lado.
Não há nada em Oblivion, que já não tenhamos visto em outro filme de ficção, um exemplo é aparência dos Saqueadores, muito parecida com a armadura de Predador, além de outras referências óbvias a outros clássicos do gênero.
Kosinsk peque, mais uma vez, em deixar o enredo de lado e focar demais no visual. A se faz bastante simples, mas é discorrida de uma forma tão lenta que quase desinteressa, os momentos são preenchidos com cenas repetitivas na primeira metade do filme, já na segunda o final parece chegar em vários momentos, mas são inúmeros alarmes falsos que chegam em um desfecho não muito agradável, ou seja, o roteiro força passagens que somos obrigados a engolir, além de menosprezar atores secundários necessários para a história.
Assim como Tron o enredo deixa nas nuvens muita coisa pertinente, como se esquecessem de serem resolvidas; mas diferente das cenas “Do Legado”, as de Oblivion são previsíveis e quase tediosas.
O que salva de fato o filme seria alguma cenas que estimulam o espectador a continuar interessado, apostando em momentos específicos e bons para construir uma cena, mas falta uma tensão maior para aproximar a trama ao espectador, questão está que a trilha sonora carrega quase que sozinha.
É fatos que ainda temos que esperar para uma ficção mais bem desenvolvida, mas não quer dizer que Oblivion não deve ser desprezado, claro que existem erros, um tanto quanto graves, mas que não comprometem de fato a relação final, tal como os bons momentos não amenizam as falhas presentes. Porém, é fato que é um filme que merece ser, no mínimo, assistido por muitos.

terça-feira, 9 de abril de 2013

A roma de Fellini - Crítica




Por Carolina D'Errico

Fellini fez de Roma uma amostra do fenômeno atemporal hoje chamado de "indústria cultural".

"É esta a cidade das ilusões.”
Gore Vidal, no filme Roma, falando sobre a capital italiana



  Esse longa de 1972 tem uma proposta peculiar ao mundo do cinema: ele não apresenta um trama narrada linearmente e nem possuí um protagonista - com relação à uma pessoa; o único protagonista que poderíamos encontrar nesse caso é a "cidade eterna".
  Com o filme, Fellini faz com que o espetador se delicie com esse "caos" que é Roma; com todos nós estamos fadados a nos encantarmos com essa cidade que é uma grande mistura de culturas e de épocas, onde a cultura erudita se mistura com a atual. Essa grande obra não tem uma trama e nem mesmo um protagonista, na verdade a protagonista principal é a cidade de Roma.
  Mostra o antigo e o novo da Cidade Eterna. Com uma narrativa descontínua e simbólica, o longa gira em torno das fantasias deste cineasta italiano que deixou Rimini por essa cidade que povoava o imaginário dos habitantes do interior da península.  E assim o filme continua, cena por cena, através de memórias, alucinações; com um personagem contínuo, mas centenas de caras novas, música, diálogos, todos seguindo seu curso.
   Ele resume em três diferentes perspectivas: a imagem de Roma a partir das memórias de um jovem estudante na sala de aula e na sala de cinema; Roma como se lembra um adulto jovem do interior (o alter ego do diretor?) que lá chegou em 1939; e o quadro “objetivo” de Roma apresentado por Fellini adulto, enquanto realiza um documentário sobre a Cidade Eterna. 
   As Romas de Fellini são muitas: aquela da Antiguidade Clássica, da Renascença e da Reforma, assim como a cidade barroca que representa a Igreja e o lado negro da Inquisição. Encontramos também a Roma moderna de Mussolini e seu sonho de reeditar a glória imperial. 



“(...) Não existe uma Roma única, mas uma série de imagens, cada uma das quais interpenetra e enriquece os significados das outras (...)”


  Um professor dos tempos de Mussolini volta de um passeio com sua classe de crianças de um colégio de padres. De repente ele para e explica que o rio que está diante deles (na verdade, um pequeno riacho) é o famoso Rubicão. Ao atravessá-lo, o imperador Julio César teria pronunciado a famosa frase: A sorte está lançada (Alea jacta est). Mas o imperador disse isso ao sair de Roma, ao passo que após pronunciar a frase todos se põem a caminho da Cidade Eterna. É como se Fellini estivesse dizendo que seu verdadeiro desafio é conquistar Roma, e não o mundo.

   A pensão romana a que o jovem do interior chega em 1939, com seus personagens estranhos, não escapa da sátira felliniana. Numa trattoria, ele será servido com um grande repasto e será também lembrado: “o que você come, você caga!”. Tarde da noite, a sombra de cães vadios nos trás a lembrança a loba, símbolo antigo de Roma. De repente, somos jogados de volta no tempo presente quando a equipe de Fellini se aproxima de Roma através do anel viário que circunda a cidade. Um caminhão de gado capota, prostitutas na beira da estrada, um cavalo solitário surge no meio da estrada, mas essa é uma visão muito comum em certos países da América Latina. A cena culmina num engarrafamento em torno do Coliseu.
    Na seqüência seguinte, Fellini será interpelado por estudantes que o atacam porque seus filmes não se destinam a resolver problemas sociais. Da seqüência no buraco do metrô passamos à comparação entre a sexualidade durante o período Fascista justaposta à desinibição dos hippies na Piazza di Spagna. Então chegamos ao surrealista desfile de moda eclesiástico e à Trastevere, onde os italianos festejam a si mesmos na Festa de Noiantri. Então Anna Magnani se despede de Fellini e somos apresentados à versão moderna da invasão de Roma pelos bárbaros, representados pelo grupo de motociclistas, “cavalgando” por todos os monumentos que marcam as muitas épocas que Roma já viveu.



  “(..) O filme representa o Fellini quintessencial, em seu tratamento da interação entre realidade e ilusão, autobiografia e história (...)”
Peter Bondanella


  Em Roma de Fellini, o cineasta dá asas a uma sensação que sempre o acompanhou: logo abaixo da Roma atual está a Roma Antiga, tão perto, tão longe.  A construção do metrô realmente criou oportunidades de volta ao passado. Evidentemente, avisa Fellini, nada parecido com o ambiente totalmente preservado que aparece no filme jamais foi encontrado.Ele sonhou que estava preso numa masmorra bem no fundo de Roma, quando escutou vozes sobrenaturais vindo das paredes que diziam: “Nós somos os antigos romanos. Nós ainda estamos aqui”. Quando ele acordou, lembrou-se de um filme de Hollywood que havia assistido quando criança. Fellini se pôs a especular sobre a possibilidade de que em algum lugar no subterrâneo de Roma uma preservação similar tenha sido possível por ter sido hermeticamente fechada
  Visualmente, é um filme um pouco confuso, mas essa era uma das principais características desse diretor; as imagens que ele passa tem significado bem mais profundo do que o roteiro do filme, que para ele devem ir muito além das atitudes tangíveis.
  
  

segunda-feira, 8 de abril de 2013

CRÍTICA: MAMA

Por Luis Ribeiro


Guillermo del Toro possui um dom inegável de filmes com atmosferas sombrias, foi isso que ele mostrou esplendidamente em O Labirinto do Fauno; porém seus trabalhos como produtor também são bastante notáveis, depois do competente O Orfanato, ele aposta no filme Mama, do diretor estreante Andres Muschietti, que já tinha escrito, basicamente, o roteiro do filme no curta-metragem Mamá, que foi de sua autoria total. Contudo esse, de fato, é um dos filmes mais fracos de del Toro.
A história, de início, foca nas duas meninas, Lilly (Isabelle Nelisse) e Victoria (Megan Charpentier), que acabam ficando órfãs de mãe quando seu pai mata a mesma. Assustadas, eles fogem para uma floresta afastada, onde encontram uma cabana e lá passam 5 anos de suas vidas sob a tutela de sua nova matriarca. Tempos depois o tio (Nikolaj Coster-Waldau) das meninas acaba as encontrando e assumindo a responsabilidade de cria-las na cidade, porém a nova “mãe” das meninas se recusa a dividir seu posto com Annabel (Jessica Chastain), a namorada do tio das garotas.
A sinopse é interessante, assim como boa parte dos suspenses, porém o filme mergulha no mesmo desastre dos filmes contemporâneos, ou seja, momentos monótonos e sustos previstos.

Existem cenas que realmente podem fazer com que o espectador sinta uma pouco de medo, a cena do cabo de guerra e as conversas com a “Mama”, por exemplo. Uma aposta do roteiro é fazer com que os personagens principais da trama tenham medo do espirito, logo admitindo a presença do mesmo, aumentando suspense. Mas o filme se perde dentro do próprio enredo, na segunda metade ele já não sabe para que ponto seguir.
Dentre as atuações podemos citar a competente participação de Jessica Chastain, que deve ter quebrado algum recorde ao fazer uns 30 papéis em um ano; ela possui uma presença física interessante, sua aparência convence e suas atitudes são bem coesas com a ideia do personagem, mas esse último foi um tanto mal escrito para carregar um filme. Nikolaj Coster-Waldau, da série Games of Thrones, desaparece em alguns momentos da produção, mal podemos citar sobre o seu desempenho em cena.
Mas as meninas, Isabelle e Megan, entregam uma atuação bárbara para as suas idades. Megan Charpentier, é a mais velha, tem um comportamento mais maduro, sabe se portar durante as cenas mais importantes e seus diálogos e expressões compõem as melhores partes do filme. Já Isabelle Nelisse, que é extremamente jovem, não possui muitas falas, porém ela atua com o corpo de uma forma impressionante, seus movimentos são macabros e sua postura é absurdamente convincente; o diretor optou em não focar muito no rosto da mais jovem, certamente para alimentar o eixo do medo.
Todavia, todos os filmes têm seus momentos de lástima, é o de Mama é a própria Mama, que no início não aparece em momento algum, apenas indica sua presença, após isso se apresenta de uma maneira mais sutil, para que o público entenda sua aparência e depois passa a aparecer em muitas cenas. O personagem é construído por efeitos visuais que não são bons, isso é decepcionante já que se trata de um filme produzido por GUILLERMO DEL TOROO. O fantasma parece ter saído de um filme de Tim Burton devido a sua aparência que não convence ninguém.
A ideia do diretor é não transformar Mama em uma vilã, e sim frisar a ideia de proteção materna, ou seja, todos os meios que as mães tomam para protegerem seus filhos; essa ideia é abandonada quando as próprias filhas começam a querer se afastar de sua mãe por medo da mesma, então o roteiro desanda por completo e passa a não fazer muito sentido.
A direção sentiu um pouco de falta de Del Toroo no comando, o mesmo problema de O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, mas, diferente do filme de Peter Jackson, Mama não foi mal dirigido, já que Muschietti fez algo digno para seu primeiro longa, assim seus erros como diretor irão se concertar no futuro.
O desfecho aposta em uma resolução incomum e corajosa, porém isso não causou muito impacto na trama. A presença de traças para representar, por algum motivo, a presença de assombrações ajudam a criar uma atmosfera mais sinistra.
No enredo existe a questão de descobrir quem é Mama, causando uma série quase policial em busca de respostas, algo que já foi usado em Caso 39 e não deu muito certo. Depois de várias tentativas de o filme se manter interessante, tudo desaba, os personagens já não sabem para onde seguir e o roteiro atira para vários lados em busca de algum acerto.
O fato é que Mama é filme que podia ter sido muito melhor, já que vendo sua equipe de realização, não havia como o filme ser ruim, mas é difícil definir sua qualidade exata, porque caso ele tivesse mantido seus pontos fortes, como o suspense oculto, o filme teria agradado aos fãs e aos críticos simultaneamente.