terça-feira, 16 de abril de 2013

CRÍTICA: OBLIVION


Por Luis Ribeiro

Joseph Kosinski volta a direção de um longa depois de ter feito, de uma maneira não muito satisfatória, o filme Tron – O Legado; mas é evidente que o diretor não é um talento prodígio e vai precisar de alguns erros na carreira para aprender.
Kosinski tem um enorme potencial e tem tudo para ser um grande diretor de filme de ficção-científica um dia, mas ainda não chegou o momento. Esse estreante possui uma concepção criativa evidente, uma imaginação arquitetônica soberba, ele realmente sabe o que está fazendo quando se trata dos aspectos visuais em um filme; ele busca chocar e maravilhar as pessoas, os cenários construídos por ele são espetaculares, nada é desperdiçado. Mas esse universo fantasioso deveria existir para dar suporte a um filme, mas o diretor faz o contrário.
Oblivion possui os mesmos erros que Tron, uma preocupação grande com as questões visuais e pouco caso do roteiro, como se esse último fosse apenas uma consequência de um filme.
Mas a história de imediato nos é apresentada. A Terra é mostrada em um futuro pós-apocalíptico, seus habitantes tiveram que mudar-se para Titã (a maior lua de Saturno) depois que os temíveis “Saqueadores”destruíram a Lua, causando inúmeras catástrofes no planeta. Mas cabe a Jack (Tom Cruise) supervisionar a coleta dos recursos naturais que restaram na Terra e encaminhá-los para Titã, que é para onde, supostamente, irá depois de que sua tarefa for feita, assim ele e sua namorada Victória (Andrea Riseboroughdeverão partir. Porém faltando pouco para sua viagem Jack, que um grande amante do antigo planeta que nunca chegou a conhecer, descobre que sua função não é tão solene e que a Terra não é tão “inabitada” quanto ele pensava.
Tom Cruise é um caso muito interessante de ator; é muito curioso que seus papéis aparentem adaptar-se para sua atuação, fazendo com que sua atuação não apresente evolução alguma em seus filmes, porém isso não significa que ele seja mau ator, ele possui uma competência e carisma perante as câmeras que falta em muitos astros de Hollywood. Andrea Riseborough se faz bastante presente no filme, faz seu trabalho muito bem. Outra figura feminina seria Olga Kurylenko, que também não decepciona. Porém é revoltante o fato de Nikolaj Coster-Waldau e Morgan Freeman teriam sido praticamente esnobados neste filme, como se fossem míseros atores descartáveis; neste ponto podemos ver que Joseph Kosinski não é um diretor de atores muito bom.
Desde 2001 – Uma Odisseia no Espaço que o público espera uma boa ficção-científica. Mas Oblivion corresponde a essa expectativa? Não, mas chega perto. O problema é mal andamento dos aspectos cruciais em um filme, ou seja, o roteiro é comprometido e pouquíssimo original, as cenas dramáticas são extremamente ensaiadas e o enredo é quase que deixado de lado.
Não há nada em Oblivion, que já não tenhamos visto em outro filme de ficção, um exemplo é aparência dos Saqueadores, muito parecida com a armadura de Predador, além de outras referências óbvias a outros clássicos do gênero.
Kosinsk peque, mais uma vez, em deixar o enredo de lado e focar demais no visual. A se faz bastante simples, mas é discorrida de uma forma tão lenta que quase desinteressa, os momentos são preenchidos com cenas repetitivas na primeira metade do filme, já na segunda o final parece chegar em vários momentos, mas são inúmeros alarmes falsos que chegam em um desfecho não muito agradável, ou seja, o roteiro força passagens que somos obrigados a engolir, além de menosprezar atores secundários necessários para a história.
Assim como Tron o enredo deixa nas nuvens muita coisa pertinente, como se esquecessem de serem resolvidas; mas diferente das cenas “Do Legado”, as de Oblivion são previsíveis e quase tediosas.
O que salva de fato o filme seria alguma cenas que estimulam o espectador a continuar interessado, apostando em momentos específicos e bons para construir uma cena, mas falta uma tensão maior para aproximar a trama ao espectador, questão está que a trilha sonora carrega quase que sozinha.
É fatos que ainda temos que esperar para uma ficção mais bem desenvolvida, mas não quer dizer que Oblivion não deve ser desprezado, claro que existem erros, um tanto quanto graves, mas que não comprometem de fato a relação final, tal como os bons momentos não amenizam as falhas presentes. Porém, é fato que é um filme que merece ser, no mínimo, assistido por muitos.

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