Por Luis Ribeiro
A diretora Kathryn Bigelow se tornou famosa no mundo do cinema por ser a primeira mulher a ganhar um Oscar na categoria de Melhor Direção pelo filme Guerra ao Terror; seu aparente interesse pelo mundo dos militares fez com que comandasse o filme que contava a história da caçada ao Osama bin Laden, contudo é certo dizer que a cineasta ainda não conseguiu seu melhor filme deste gênero.
Com os ataques do 11 de setembro, os Estados Unidos entrou em uma onda de grande paranoia, devido ao perigo que os terroristas apresentavam para o país; logo os agentes da CIA tiveram que agir para conseguir abater o inimigo, denominado Osama bin Laden. Maya (Jessica Chastain) é uma agente competente da corporação e teve seu foco voltado à caça de Laden, assim ela comanda uma equipe que interceptaram vários aliados do terrorista, por meio de várias táticas ela consegue levar o seu batalhão até o esconderijo de Osama, para que o mesmo fosse eliminado.
É correto dizer que os Estados Unidos da América sempre tiveram o papel de vítima na história dos atentados e é exatamente desta maneira que ele é descrito em todo o filme, que por sinal é grande e exaustivo. O roteiro falha muito em apresentar a história para o espectador, que precisa ter um conhecimento básico sobre a luta ao terrorismo, caso contrário está extremamente propício a não compreender o enredo.
É a segunda vez que Bigelow dirigi um filme escrito por Mark Boal, a primeira foi Guerra ao Terror; é inegável que ambos trabalham bem junto, mas isso significa que os dois fracassam junto também. Zero Dark Thirty não deve ser tachado como um filme ruim, mas faz de tudo para ser. O longa tem mais de duas horas de duração, estas são preenchidas com diálogos longos e tediosos, se o espectador perder um minuto é possível comprometer a compreensão final. Se o roteiro tivesse sido resumido, a essência da produção podia aparecer e torná-la interessante para o público.
As tomadas das cidades, dos terroristas e das cenas de interrogatório transformam o filme em ótimo documentário (mas esse não é o intuito da produção), uma vez que a informação é dada em peso e de forma bem direta, ou seja, diferente das produções que focam o terrorismo, que possuem explosões e tiroteios.
Entretanto o filme começa não muito bem, são vários interrogatórios dispensáveis um após o outro. Mas essa busca de informação é, muitas vezes, bem sucedida por meio da tortura, motivo pelo qual o filme foi bastante criticado. Esta estupefação dos métodos de castigos é um exagero pela parte de muitos, no Brasil já foi visto coisa pior em filmes como Tropa de Elite. A produção tem sido acusada de ser a favor da tortura para conseguir informação, já que existem cenas que demonstram isso, mas não é nada que assuste o telespectador.
Jessica Chastain é a agente que toma conta do caso, a personagem é contra os castigos por busca de informação, mas acredita que esse é o único meio de conseguir a verdade. Muito se tem dito que Chastain está brilhante neste filme, mas sua atuação está somente boa, na verdade, ela se entusiasmou demais e exagerou nos gritos e berros; a atriz já esteve melhor em Histórias Cruzadas e O Abrigo, logo nada justifica a sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Nenhum outro nome no elenco merece ser mencionado.
O longa evita tocar no nome de seu país, tanto é que o atual presidente mal aprece o filme inteiro, assim o governo não é descrito em momento nenhum. Nem todos sabem, mas a produção devia tratar somente sobre a caçada de Osama, mas a equipe foi pega de surpresa quando souberam da morte do terrorista; o roteiro teve que ser adaptado às pressas para que ficasse coeso. Por este motivo, houve a cena do assassinato de Laden, que com certeza, é a melhor cena do filme e, de certa forma, compensa o trajeto cansativo. Este momento dura 25 minutos, o mesmo tempo que os militares levaram para invadir o esconderijo e eliminar o inimigo; de fato é uma passagem de tirar o fôlego, extremamente intensa e muito bem feito, é lastimável que o restante do longa não apresente tal entusiasmo.
A trilha sonora é não de toda ruim, porém aproxima pouquíssimo o espectador da trama em si, o figurino é mais competente, já que se trata de um filme com roupas contemporâneas que cumpriram bem seu papel; a edição de som só tem seu valor em raras cenas que interessam realmente o espectador, porém a montagem de cenas é bastante digna.
A Hora Mias Escura foi indicado a 5 Oscars (Melhor Filme, atriz, montagem, roteiro original e edição de som) nenhuma delas realmente é merecida de um estatueta dourada, mas não podemos ignorar que o filme deve ser conferido, porém jamais dito como obra prima.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
A hora mais escura - Crítica
07:54
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