domingo, 17 de fevereiro de 2013

Morangos silvestres - Crítica

Foto: Morangos silvestres

Por Carolina D'Errico
  Morangos Silvestres é um filme de drama, produzido em 1957 na Suécia.
  Quando se trata do diretor Ingmar Bergman, sempre esperamos um filme muito reflexivo e emocional e intelectualmente denso. Mesmo sendo um filme estruturalmente simples, Morangos Silvestres encanta por discutir temas variados. Alguns são abordados de maneira rápida, como religião e a existência de Deus, mas todos os diálogos são intensos ao ponto de nos atingir profundamente.
 A obra conta a história de um médico, a caminho de uma universidade para receber um prêmio, nesse caminho ele retorna à memórias de sua infância e juventude ao relacioná-las a figuras que conhece no caminho.
  O filme trata principalmente da escassez do tempo, o que nos leva à morte. Isso fica bem claro na sequência inicial, em que o protagonista sonha que está caminhando por uma rua, lá ele encontra um relógio sem ponteiros. Num súbito acidente  um caixão cai no meio da rua e quando ele olha, o homem deitado nele é ele mesmo. Assim como essa situação, o filme todo é formado nessa transição entre sonho e realidade.
  Os casais apresentados nesse filme são muito interessantes; apresentam caráter completamente diferentes. O casal de jovens é repleto de alegria e ingenuidade, enquanto o casal adulto é cheio de cinismo, 
  Morangos Silvestres é um filme bastante contraditório; adorado por uma minoria e estoicamente engolido pela imensa maioria que viu e não gostou. Realmente não há acontecimentos concretos durante todo o filme. Por isso o filme é visto por muitos, incluindo alguns críticos, como sendo um filme monótono e maçante. Então porque ele ainda é visto, por alguns, como uma obra-prima?
  O filme é tão complexo e sensível que seria facilmente tema para uma tese. Morangos silvestres é realmente um sonho para psicólogos e psicanalistas. Não vejo como, em apenas uma crítica cinematográfica, tentar desvendar o que se passa na cabeça de Isak Borg. Mesmo assim sua personalidade pode ser facilmente exposta.
  Sucesso profissional, estabilidade financeira e prestígio. Essas palavras resumem o perfil do médico Isak Borg. Mesmo assim a melancolia o persegue durante todo o filme; um homem marcado por seu passado que é, pouco há pouco, exposto na obra.
  Suas ações são baseadas no que é chamado, em psicanálise, de pulsão de morte. Isso nos leva a autodestruição interna, a vitimização mórbida e ao isolamento afetivo.Em certo ponto do filme ele diz à sua nora: “Parece que quero me dizer algo que não quero ouvir acordado; que estou morto, apesar de vivo”.
 Mesmo assim a obra não chega a ser um marco na história do cinema como muitos falam. O filme apresenta uma ótima fotografia, mas também atuações razoáveis, uma trilha sonora boa, mas esquecível e uma direção boa, mas não excelente. O fato de quase não terem tomadas de plano geral me deixou um pouco frustrada, mesmo assim os  ângulos de câmera foram  bem planejados.
  Por mais que eu recomende o filme e o ache realmente bom, não acho que merece o título que lhe foi dado como um dos melhores filmes já produzidos.




Por Carolina D'Errico
  Morangos Silvestres é um filme de drama, produzido em 1957 na Suécia.
  Quando se trata do diretor Ingmar Bergman, sempre esperamos um filme muito reflexivo e emocional e intelectualmente denso.Mesmo sendo um filme estruturalmente simples, Morangos Silvestres encanta por discutir temas variados. Alguns são abordados de maneira rápida, como religião e a existência de Deus, mas todos os diálogos são intensos ao ponto de nos atingir profundamente.
  A obra conta a história de um médico, a caminho de uma universidade para receber um prêmio, nesse caminho ele retorna à memórias de sua infância e juventude ao relacioná-las a figuras que conhece no caminho.
  O filme trata principalmente da escassez do tempo, o que nos leva à morte. Isso fica bem claro na sequência inicial, em que o protagonista sonha que está caminhando por uma rua, lá ele encontra um relógio sem ponteiros. Num súbito acidente um caixão cai no meio da rua e quando ele olha, o homem deitado nele é ele mesmo. Assim como essa situação, o filme todo é formado nessa transição entre sonho e realidade.
  Morangos Silvestres é um filme bastante contraditório; adorado por uma minoria e estoicamente engolido pela imensa maioria que viu e não gostou. Realmente não há acontecimentos concretos durante todo o filme. Por isso o filme é visto por muitos, incluindo alguns críticos, como sendo um filme monótono e maçante. Então porque ele ainda é visto, por alguns, como uma obra-prima?
  O filme é tão complexo e sensível que seria facilmente tema para uma tese. Morangos silvestres é realmente um sonho para psicólogos e psicanalistas. Não vejo como, em apenas uma crítica cinematográfica, tentar desvendar o que se passa na cabeça de Isak Borg. Mesmo assim sua personalidade pode ser facilmente exposta.
  Sucesso profissional, estabilidade financeira e prestígio. Essas palavras resumem o perfil do médico Isak Borg. Mesmo assim a melancolia o persegue durante todo o filme; um homem marcado por seu passado que é, pouco há pouco, exposto na obra.
  Suas ações são baseadas no que é chamado, em psicanálise, de pulsão de morte. Isso nos leva a autodestruição interna, a vitimização mórbida e ao isolamento afetivo.Em certo ponto do filme ele diz à sua nora:

     
“Parece que quero me dizer algo que não quero ouvir acordado; que estou morto, apesar de vivo”.

  Mesmo assim a obra não chega a ser um marco na história do cinema como muitos falam. O filme apresenta uma ótima fotografia, mas também atuações razoáveis, uma trilha sonora boa, mas esquecível e uma direção boa, mas não excelente. O fato de quase não terem tomadas de plano geral me deixou um pouco frustrada, mesmo assim os ângulos de câmera foram bem planejados.
  Por mais que eu recomende o filme e o ache realmente bom, não acho que merece o título que lhe foi dado como um dos melhores filmes já produzidos.


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