quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Crítica: Indomável Sonhadora

Por Luis Ribeiro

INDOMÁVEL SONHADORA, É BONITINHO, MAS NADA DE MAIS!


Para Beasts os the Southern Wild (no original) não faltam elogios. Seja pelas atuações, pela direção, roteiro ou trilha sonora. Muito disso vem das quatro indicações ao Oscar que o longa foi indicado. Porém é sabido que o público tenha apreciado o filme pelos motivos errados, já que se analisarmos bem, ele não é algo primordial.
Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) é uma menina de seis anos de idade que vive em uma pacata localidade denominada de “Banheira”, ela reside lá junto a seu pai Wink (Dwight Henry), que se encontra muito doente devido a tempestade que atingiu o local e acabou o inundando. Ambos são obrigados a se refugiarem com alguns amigos para terem uma chance de sobreviver em um ambiente alagado. Porém, Wink, vê que a única saída é explodir a represa da área para que a água possa ser drenada, fazendo com que a cidade volte a ser o que era antes.
Muito tem se falado da atuação de Wallis que, com apenas seis anos, (agora com dez) arrancou muitas lágrimas dos jurados no Festival de Sundance. Seu desempenho foi aparentemente tão bom que até conseguiu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, tornando-se a atriz mais jovem a conseguir uma nomeação para tal categoria. É evidente que este fato foi um exagero da parte da crítica, que recebeu o filme como obra prima do diretor Benh Zeitlin .
Certamente a grande maioria do público não apreciará o filme como aqueles que são grandes devotos da sétima arte, mas não é correto dizer que o longa se encontra entre os melhores filmes do ano. O filme é somente e inteiramente voltado a Quvenzhané, ela carrega a produção nas costas, e cumpre bem essa tarefa; mas o foco na garota é tão grande que o roteiro simplesmente esquece-se de qualquer outra coisa no filme, principalmente de Dwight Henry, que faz um excelente trabalho como pai. Existem cenas que poderão embrulhar o estômago do espectador, como os métodos de alimentação dos protagonistas, mas estes se apresentam muito confortáveis com tais tomadas. Os cortes trêmulos que vemos se tornam cansativos e os personagens coadjuvantes são quase dispensáveis, já que nenhum deles é desenvolvido em momento algum.
Talvez seja certo dizer que ninguém, realmente, entendeu o filme, apenas apresentam especulações sobre suas análises. É um fato dizer que o filme apela demais para a emoção do espectador, ofendendo-o de certa forma.
Mas Zeitlin fez algo competente neste trabalho, já que é seu primeiro longa, mas este fato não salva o filme de ser comprometido; a estreia do cineasta pode ser  o motivo pelo qual o filme é mal escrito e quase tedioso, são nos momentos finais que a trilha sonora, apesar de boa, mostra alguma ousadia perante as cenas. Em duas horas nada que prenda nossa atenção, apenas cenas que falam por si só, ou seja, quase não há diálogos. Mas quando existem conversas, elas não são muito envolventes e raramente valem a pena.
A sintonia entre os protagonistas é a melhor coisa do filme, os dois se portam muito bem, já que Quvenzhané atuou com poucas expressões e Dwight teve uma voz mais marcante. Contudo ainda é certo dizer que o filme é bastante longo e monótono.

Sempre há uma ovelha negra nos indicados a Melhor Filme no Oscar, e Beasts os the Southern Wild (péssimos nomes tanto no original quanto na tradução) foi o azarão da edição de 2013 em todas as categorias em que esteve indicado, assim como aconteceu com, o horrível, Tão Perto e Tão Forte e Inverno da Alma nos anos anteriores.

Com todas as falhas no roteiro, a devoção e dependência de uma menina de seis anos para ser realizado, é um crime qualquer menção de Indomável Sonhadora em uma lista de melhores filmes do ano.

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