sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Escafandro e a Borboleta - Crítica

Por Carolina D'Errico

Com certeza um dos melhores filmes feitos no ano de 2007



  Dirigido por Julian Schnabel, conhecido especialmente pelo caráter neo-expressionista de seus filmes, consegue trazer um ponto de vista completamente diferente sobre o protagonista. Como já feito em vários outros filmes, o diretor tenta abordar como tema "A luta de um ser humano através da arte". 


  O Escafandro e a Borboleta é um filme baseado em um Best seller francês de mesmo nome, ele conta a vida do jornalista Jean-Dominique Bauby (1952-1997) depois de passar por um grande drama em sua vida.

   Aos 45 anos, Jean sofre um acidente vascular cerebral. Depois de semanas em coma ele percebe que tem uma síndrome chamada Locked-in, o que não o permite falar, comer ou mover-se sozinho; mesmo assim sua mente continua intacta e ainda mais ativa do que o normal. Depois de um tempo, Jean-Dominique aprende a se comunicar apenas com o piscar de olhos (a partir de letras do alfabeto, com uma pessoa ditando uma por uma) .



  Cansado de guardar seus pensamentos só para si, ele, que era escritor, decide escrever um livro contando sobre sua vida no passado e no que ela se transformou.

  A sequência inicial do filme mostra o momento em que Bauby acorda de seu coma, a confusão que gira em torno da personagem é facilmente percebida. Em meio a ângulos recortados, trocas rápidas de câmera e borrões, percebemos a genialidade do diretor; com todos esses artifícios, Schnabel faz com que nos identifiquemos com o personagem e que sintamos na pele sua agonia. Principalmente o que podemos perceber é que na maior parte do filme não vemos o protagonista na tela, vemos o que ele vê; dá até a impressão de a tela estar um pouco úmida, como um olho aberto e que constantemente chora.


  Depois disso podemos ver seu passado, seus pensamentos. O que o torna tão triste? será que é a síndrome, o fato de nunca mais poder abraçar seus filhos, beijar sua esposa; ou será que é o fato de nunca tê-lo feito? Isso tira a ideia de "pobrezinho" do personagem, o faz parecer mais humano. O roteiro enfatiza a todo momento tudo o que Jean-Dominique perde por seu acidente; isso desde as coisas grandes como os pequenos detalhes.  




  Creio que é nesse momento que podemos perceber plenamente o significado do título do livro; um homem perdido sua mente (escafandro), sem poder se expressar da maneira que deveria, prisioneiro de seus erros e de seu passado. Mesmo assim uma borboleta, pois tem a imaginação livre, até mais do que antes; a borboleta representa também a transformação que vemos ele passar durante todo o filme, um amadurecimento.


  Creio que é nesse momento que podemos perceber plenamente o significado do título do livro; um homem perdido sua mente (escafandro), sem poder se expressar da maneira que deveria, prisioneiro de seus erros e de seu passado. Mesmo assim uma borboleta, pois tem a imaginação livre, até mais do que antes; a borboleta representa também a transformação que vemos ele passar durante todo o filme, um amadurecimento.


  Quanto ao elenco, Mathieu Amalric traz uma das melhores interpretações do ano.


  Apesar de o filme ter ganho inúmeros prêmios e ser bem famoso na França, no Brasil ainda é um filme bem pouco conhecido, o que é realmente uma pena já que, considerando todos os pontos abordados nessa crítica, é uma verdadeira obra prima.



0 comentários:

Postar um comentário